quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Emily Dickinson

The heart has narrow Banks
It measures like the Sea
In mighty- unremitting Bass
And Blue Monotony

Till Hurricane bisect
And as itself discerns
Its insufficient Area
The Heart convulsive learns

That Calm is but a Wall
Of unattempted Gauze
An instant's Push demolishes
A Questioning- dissolves

*
O coração tem bordas estreitas
E, feito o mar, se mensura
Por um poderoso baixo contínuo
E monotonia azul

Até que um furacão o seccione
E, enquanto descobre
Seu insuficiente espaço,
Aprende em convulsões

Que a calmaria é tão-só muralha
de intocada gaze:
A pressão de um instante destrói,
Um questionamento a esgarça.
Poemas Escolhidos, Emily Dickinson.. Espressando o desespero

Quando o corpo quer falar...


O corpo quer então comunicar ... Comunicar-se com outro.

Discordante conserto das coisas


Ou rerum concordia discors que significa a mesma coisa. Esta é a maravilhosa incerteza e multiplicidade da vida como disse Nietzsche. Muitas coisas funcionam num emaranhado que não se faz idéia de como se funciona, ou como funciona sendo tão discordante. Sim, há um enigma! Não sei dizer se é divino e portanto impossível de ser descoberto. Mas tenho certeza de que ele não paira, sua intenção não é nos envolver, é nos penetrar. Por que ser cego? Há um enigma em nossas mentes, a residência da morte e da vida são nossas cabeças "perfeitas".
Talvez o enigma não seja tão complicado, e o mistério é ilusão, tem o papel somente de confundir.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Persona, Pessoa, Pessoal, Personalidade

A personalidade, para Jung, é uma estrutura dialética, feita de mil tensões, de mil crises.
Ou seja, é assim que a personalidade se organiza. Explicando melhor, a personalidade é como uma reação. Se se fere alguém constantemente este se torna agressivo; porém há o inverso, na fase adulta pode se tornar numa pessoa amável, na melhor das hipóteses,claro!
A personalidade é a reafirmação dos nossos valores, como dizem alguns escritores espiritualistas. A personalidade surge simplesmente, acompanhada de gestos e movimentos que não se pode dizer se são coordenados ou não. Será que existe uma personalidade pura, ou são de certa forma um pouquinho parecidas? Há o momento em que pode-se perceber linhas parecidas nas personlidades , no entanto cada pessoa é única e carrega algo único em suas vidas.
A personalidade é como um tiro. Imagine um tiro, a mente está armada constantemente, perceba! Até mesmo quando estamos dormindo e sonhando nos defendemos de certa forma. A personalidade é uma vingança ou um riso ora divertido, ora fatal. A personalidade está diretamente ligada ao ego, mas não somente, diria até que não é o mais importante para personalidade. Pois ter personalidade é importante até para irmos ao toillete. Isso assemelha-se a um ritual se se a personalidade for mecânica. A personalidade é mecânica ou natural? O que se pode saber é que ela se estrutura, não necessariamente alinhada.
Estrutura dialética, como na filosofia, a personalidade é a etapa número três, a síntese, a conclusão, o resultado da disputa entre a tese e a antíse.

P o e s i a v i s u a l


terça-feira, 20 de outubro de 2009

A pedra

"Sim, eu me sentia transportada para outro mundo, outra realidade. Tudo ficara esquecido. A pedra também? Sim, a pedra também, incrédulos. Pedra? Para que pedra? Para que fantasia, se a fantasia agora estava ao meu alcance, eu podendo criá-la a qualquer instante? "

trecho extraído do livro "A mulher que escreveu a bíblia"

Nesse trecho do livro,"a feia" despede-se da pedra que ela "adotara" para não sentir-se só sexualmente. Se homem nenhum a queria, então a pedra a satisfaria. Porém, um dia, o rei a quer como esposa, e a pedra finalmente poderia ser substituída por um "ferro" como ela diz.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Iris Murdoch


"As pessoas são muito reservadas e por várias razões querem parecer "comuns". Todos têm pensamentos que desejam ocultar. As pessoas têm obsessões, medos e paixões que não admitem. E não podem pensar o que quiserem. É um privilégio do romântico ver as características de cada um. Eu escrevi coisas secretas..."

Iris Murdoch

Açúcar ou adoçante?


Eu acreditei..

Passei minha infância pensando que tudo era perfeito. Acreditando na substância das palavras. Agora sei porque me vem ímpetos de choro. Agora vivo e observo essas chamas envolvendo tudo. Eu vou gritar, tentar fingir, e cobrir tudo com um manto branco, o branco que ainda possuo...

imagem do filme "Persépoles"

The things in the home

São várias coisas, um chapéu aqui, um violão ali, um coração para regar, uma flor quase morrendo e gente tentando reanimar. É um monte, uma pilha de papéis, livros ainda não lidos,
um guada-roupa esturricando, perfume aberto exalando paixões, fome, enjôo. Um bando de tralhas que não são tralhas, são nossas coisas, que nos acompanham e tornam-se significativas e nos fazem atribuir-lhes amor. Amor pelo esmalte azul, pela geladeira antiga da vó que também é azul, um sofá furado, ''mas que tá bom" e aquelas quinquilharias que estão na família passando por gerações e que resistem "nossa!". A chícara está rachada, colada e ainda "tá" lá, não tão firme, mas é nela que tomo meu cafezinho das 17:00 horas..

Atos Invernais

Ah, quão belo foi o dia em que me tornei invasor,
Sem a prisão do perfeito eu serei um eu sutil.
Invasor para tornar tudo mais claro em minha compreensão.
Tornei-me um invasor observador para não prostrar-me.
Minha mente obrigou-me. Se eu não o fizesse cairia em confusão mental.
Perdoa, perdoa meus atos invernais, sem cor, cheios de fúrias.
Tudo para não prostrar-me.
Egoísta que sou, não acorrentar-me em devaneios que a mente insiste em acreditar.
Não crucificar a mente que não diferencia o vermelho do azul.
Se Deus me permitir, um dia quero ser anjo,
E poder disfarçar as lágrimas dizendo que é chuva,
Chuva torrente.
Se Deus me perdoar, não vou mais ignorar olhos que insistem em avisar algo que é infernal

Devo ouvir o silêncio em mim para ouvir música?


O que é a música? Sempre penso, no significado, em como sentí-la. No filme 'O segredo de Beethoven' ele diz como sentir a música e acho que é importante frisar esses momentos, entendendo-os. Em seu leito de morte, Bethoven, não deixa que suas idéias sejam afetadas pela sua enfermidade. Com ajuda de sua assistente consegue ainda compor. Não vou escrever o filme todo aqui, só uma parte do diálogo sobre como ouvir música.
Então ela pergunta:
-Devo ouvir o silêncio em mim para ouvir música?
-Sim... O silêncio é fundamental...-Beethoven responde
...O silêncio entre notas.
Quando esse silêncio a envolver...
Então sua alma poderá cantar.





quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Uma vez enchi a mão com névoa.
Abri-a e, então, a névoa era um verme.
Fechei e abri a mão outra vez, e eis que ali havia um pássaro.
Mais uma vez fechei e abri a mão, e dentro dela havia um homem de rosto triste, voltado para cima.
Outra vez fechei a mão e, ao abri-la, nada havia, exceto névoa.
Mas ouvi uma canção de extraordinária doçura.

Areia e Espuma, Kahlil Gibran

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O corpo e a fome

O corpo quando quer um Quê, uma causa, uma façanha, projeta-se lento para o interior, mesmo que alimentando-se do externo. E quando viaja para o sul numa caminhada peregrina encontra facas e riscos tranversais, e marcas contantes que a natureza inquieta se dispõe a ornamentar. O corpo carnívoro, não tem alívios. Não se alimenta de flor, não faz pactos de amor e só quer se saciar em seios clandestinos que estão armados de instintos, instintos puros que não negam ter fome...

Eu canso


Eu canso de ter de conviver com máquinas monotipos e sorrisos desanimados. Eu canso de ouvir vozes fracas, sem ânimo. Eu canso da estupidez, e do tudo que pode dar e nada quer fazer porque pensa que não tem poder. Eu canso da pobreza de espírito e da falta de amor que anda por aí em corpos ríspidos quase ausentes.

Uma filosofia para ser seguida


"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que não arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade."
Carlos Drummond de Andrade
Não canso de ler essas palavras. Sim, temos que amar, despositar amor em nossas ações e então tornar tudo numa bela obra. Se usarmos todas as nossas forças e se arriscarmos sem medo. Isso é viver.