segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Água morta

"A onda morta engendra um grande fantasma branco que em instantes terá desaparecido. No espaço de um clique, a água pesante sobe como a fumaça, vapor, uma alma. Milagre dos instantâneos que fixam a imagem da água esguichante, difundindo-se para fora de si mesma, cabriolando para o alto, como o feixe de uma espuma de uma onda que arrebenta de encontro com um rochedo."

Escritos num jardim Marguerite Youcenar

Contemplo



Não se preocupe com o veneno das coisas.

Não me enxergue, tente sentir.


Pois não me visto mais de fantasias. Minhas noites com elas me fizeram forte, mas o dia seguinte era sempre pior, não havia alegria nenhuma em ver que nada daquilo existia. As fantasias pareciam ser feitas de pedras coloridas e preciosas, e seus brilhos eram solares e misturados aos brilhos lunares, eu brilhava numa dança noturna, cheia de brilho, sonhos, sorrisos tontos e enjoo. Não me enxergue, sei que o motivo de toda aquela luz era para que me vissem. Hoje não tenho pedras, nem lua, somente o sol que açoita mais um dia comum. Talvez uma luz real nasça neste dia. O brilho talvez surja de um sorriso, ou de um vento tranquilo que tenta tocar toda a alma semi fosca, mesmo numa briga de contato com a pele, empurrando-a para que se deixe atravessar. Então, não me enxergue, tente sentir... nos dias... e nas noites. Me veja como se eu estivesse nua...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sendo Observado


É como se estivesse sendo observado, ás vezes, e o corpo quer logo se fechar para se proteger de olhares secos. É porque ele não compreende tais olhares, não entende...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dessignificando


"Dessignificando
Vou derretendo os compassos
Que criei
Desapagando linhas:
Círculos que a vida desenhou
E onde vivi
Distorcido e fremento
Frente a palidez da vida."
trecho poema de Hilda Hilst
my words:
Quando se tira o significado das coisas, quando se derrete a marcação que é o compasso, quando se decide tirar as criações de limite que não fazem sentido algum. Viver só faz sentido quando não se há um desenho pronto, a vida se desenha por si, e não há cores que possam assimilar a cor real do que é viver. As cores que os olhos têm são cores clandestinas vindas das fronteiras entre mares de cores distintas que se chocam formando uma linha. E nessa tênue linha esta a tênue cor que os olhos possuem, entre um mar e outro. Ou seja, não define em palavras prontas o que é a vida, você mesmo não irá entender. Para os que buscam a verdade, pois não se comprometem em responder quando não se pode explicar. Ou se explica e nada entenderá.

Eu procuro o amor...

...como quem não procura.

O apartamento creme rosa


Nesse apartamento morei como se os dias não existissem, as horas eram apenas uma brincadeira do relógio...

Estou salva...

...na minha solidão.

63' John Lennon


"Há um lugar

Onde posso ir

Quando estou

triste

E é minha

mente"